Colunistas |23/10/2012 - 12:35 - Paulo Afonso - BA

Cuidado com os cultos ditos "Evangélicos".

Crédito: Divulgação

Alguma vez em sua vida, você participou de algum culto evangélico? Então derrepente você pode ter ido a uma igreja de nomeclatura "evangélica" e quem sabe ter ficado meio "assombrado" com o que viu e ouviu. Pois bem, existem muitas igrejas e como é grande o número delas, também são grandes as diferenças no modo como elas prestam culto, ou pelo menos dizem estar prestando culto a Deus.


A minha palavra tem como objetivo confrontar o culto que se vê em muitas igrejas ditas evangélicas. Tem como proposta fazer você, amigo leitor, refletir um pouco e poder observar à luz das Escrituras Sagradas que a aquilo que se diz por aí ser culto a Deus, não passa de uma "aberração evangélica", onde muitos gritam, esperneiam pelo chão, falam coisas que ninguém entende, suspiram, gemem, emitem sons desarticulados de nenhuma edificação nem para os próprios membros dessas igrejas muito menos para seus visitantes.


Contudo, mesmo diante desse quadro aterrador do culto de muitas igrejas, existem ainda igrejas sérias, comprometidas com o que o próprio Deus estabeleceu referente ao culto que lhe devemos prestar. 


Ofereço apartir de agora uma reflexão sobre "Adoração, principios fundamentais".


Introdução

Podemos concordar que parece haver um completo desconhecimento quanto ao propósito primordial da igreja. Para muitos a igreja funciona como um pronto-socorro, e desde que as pessoas estejam sendo socorridas, as demais, inclusive a adoração, ficam em segundo plano, ou até são completamente ignoradas.


Os cultos modernos têm sido apenas instrumentos para que as pessoas consigam bênçãos para sua vida.


Do inicio ao fim, das músicas à pregação, tudo gira em torno do tema: “Como obter as bênçãos de Deus”. As pessoas têm dado muito mais importancia a seus desejos pessoais do que à glória de Deus. Esses têm sido os verdadeiros deuses que estão ditando as regras no culto e modo de ser da igreja dos nossos dias.


Deus quer ser adorado

Deus estabeleceu um povo para adorá-lo, e este povo é a igreja. a maior função da igreja nesse mundo é adorar a Deus. Todas as demais coisas devem ser subservientes a esse principio básico. Por isso, o culto, como expressão solene dessa adoração, tem uma importancia tremenda, pois é uma resposta obediente ao convite, ou melhor, à própria ordem de Deus. 



O Catecismo Maior de Westminster diz:

 P. 1: Qual é o fim supremo e principal do homem?

 Resposta. O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.

 Ref. Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24.

 

É pelo culto que a igreja vive. “É nele que pulsa a vida da igreja”, disse J. J. Von Allmem.


Isso nos sugere a importancia com que devemos tratar esse assunto. Em primeiro lugar porque o culto é a Deus, e ele é digno de toda a nossa revêrência, e em segundo lugar, porque o culto afeta consistentemente as pessoas que participam dele. Por isso, precisamos ter cuidado, pois Spurgeon estava certo ao dizer que:


“Muitos gostariam de unir igreja e palco, barulho e oração, danças e ordenanças. (...) Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam  satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas, rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice”.


Tipos de culto

Existe uma distinção entre a vida cristã como culto constante a Deus (Dt 6.6,7; Cl 3.17), o culto individual (Mt 6.6), o culto familiar (Jó 1.5) e o culto público solene (Is 56.7; Hb 10.25).  A Confissão de fé menciona que Deus deve ser adorado tanto em famílias, quanto em secreto, e mais solenemente em assembléias públicas.

 

XXI.VI: Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade –tanto em familias diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em assembléias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião.


A vida cristã é um culto constante a Deus, que é oferecido individualmente, em qualquer tempo e lugar e onde não é necessário que se exerçam os chamados elementos de culto, como por exemplo, oração, cânticos e leitura da Bíblia.

 

O culto público é o ajuntamento solene do povo de Deus, convocado para reunir-se em dia, hora e local estabelecidos, com o objetivo de prestar serviço espiritual a Deus sob a liderança de pessoas especialmente designadas para tal.

 

É preciso que se entenda claramente que existe uma diferença fundamental entre nossa vida diária como culto a Deus e o culto que a ele prestamos publicamente, juntamente com os demais irmãos em Cristo. Determinadas atividades que seriam pertinentes à nossa vida como culto não seriam próprias a este culto público.

 

Quando se perde o verdadeiro significado da igreja e da adoração, é natural que as coisas fiquem misturadas, e que aquilo que deveria ser secundário, ou mesmo inexistente, assuma formas agigantadas, enquanto que, o que realmente importa fique esquecido. O que spurgeon dizia que era desejo de alguns fazer, ainda no século XIX, já é uma plena realidade no inicio do século XXI.

 

O tema da adoração desenvolve-se por toda a Bíblia e culmina no Apocalipse, de forma escatológica, nessa ocasião a igreja é descrita como uma comunidade adoradora, porém, agora na presença do seu Senhor (Ap 19.1-8). Por isso podemos concluir que adoração é algo central para a vida, tanto na terra quanto no céu.

 

Assim, quanto a ser nossa vida uma vida de adoração, é o culto que deve ser nossa preocupação fundamental.

 

O culto público a Deus pode ser prestado em qualquer lugar pelo seu povo, não havendo para isso local mais sagrado que outros, conforme ensina a Confissão:


Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade (CFW XXI.VI).


O que caracteriza o culto público


Não é a sua realização num templo, mas a sua convocação, seu caráter público, a presença dos elementos que o constituem como culto, bem como sua condução por líderes para isto separados.


A igreja como comunidade social

As igrejas locais não são apenas uma expressão visível da Igreja de Cristo. Elas também são comunidades que se organizam socialmente. É admissível que atividades de cunho sociocultural façam parte da vida das igrejas locais, como festividades relativas às datas do calendário público, eventos de lazer e culturais, acampamentos, retiros, formação de grupos por interesse cultural, encontros que visam simplesmente a socialização dos membros, a discussão de temas da atualidade, ou até mesmo atividades que visam proporcionar oportunidades de melhora profissional, como cursos profissionalizantes e de línguas. Outro exemplo são as tradicionais “reuniões sociais”, onde ocorrem brincadeiras, danças de roda, encenações, etc.

 

Assim sendo, é preciso fazer uma distinção muito clara entre atividades de natureza social e cultural das igrejas locais e aquilo que se faz no culto público a Deus. Muitas atividades que são cabíveis, pertinentes e próprias à natureza social das igrejas locais não devem ter lugar no culto, pois nem são elementos deste e nem contribuem para que os referidos elementos sejam mais bem utilizados pelo povo de Deus.

 

Deus chama o homem para a adoração de duas formas: primeiro pelo desejo íntimo que colocou quando o criou, e segundo quando o renova espiritualmente.

 

Quando Satanás tentou fazer com que Jesus o adorasse, recebeu a seguinte resposta: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e somente a ele prestarás culto” (Mt 4.10-Dt 6.13). Adoração é uma ordem, um mandamento divino. Deus deseja ser adorado porque isto faz parte de sua própria essência e por isso ele nos chama para essa tarefa sublime.

 

Calvino notou que Cícero já havia afirmado: “Não há povo tão bárbaro, não há gente tão brutal e selvagem, que não tenha arraigada em si a convicção de que há um Deus” Institutas I.3.1

 

Há algo dentro do homem que o dispõe para o eterno Ec 3.11, mas por causa do pecado, o homem tem fracassado completamente em todas as tentativas de adoração, e transformado essa adoração em idolatria.


Culto público

O culto público é alvo de diversas regulamentações, normas e principios revelados nas Escrituras. Lembremos que os quatro primeiros mandamentos da lei de Deus, entre outras coisas, tratam do culto que devemos prestar a ele: o primeiro, que devemos cultuar somente a Deus (Ex 20.3); o segundo, que devemos cultuá-lo em espírito e verdade e não mediante imagens ou representações (Ex 20.4-6);

 

O terceiro, que devemos adorá-lo de coração, sem tomar seu santo nome em vão (Ex 20.7); o quarto, que devemos separar um dia em particular para que descansemos e cultuemos a Deus (Ex 20.8-11).

 

O fato que Deus reservou quatro dos dez, andamentos para tratar, também, do culto que a ele devemos, por si só, é indicativo do zelo e cuidado que ele tem pelo mesmo.


 Confissão de fé de Westminster Cap. XXI.V


A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso.


A Confissão de Fé declara que estes elementos são parte do “culto ordinário” a Deus. Esta expressão não significa que existem “cultos extraordinários” e que “extraordinariamente” outros elementos, que não os mencionados acima, devam ser incluídos neles. As Escrituras não reconhecem dois tipos diferentes de culto público a Deus e nem duas categorias distintas de elementos, ordinários e extraordinários.

 

A linguagem dos símbolos de fé visam somente dizer que estes elementos constituem o padrão do culto a Deus e que não há outro tipo de culto que devamos prestar-lhe.

 

As Escrituras nos ensinam claramente que Deus não se agrada de um culto onde elementos estranhos são apresentados, ainda que sob pretexto de boa intenção (Rm 10.2). Elas se pronunciam de maneira veemente contra inovações no culto (Dt 12. 1-32). Estas inovações consistem em introduzirmos atividades que não fazem parte dos elementos do culto público.

 

Os símbolos de fé declaram que Deus não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás (CFW XXI.I). Em Amós Deus exigiu justiça e não sacrifícios (Am 5.21-27). Paulo acusou os coríntios de se ajuntarem “não para melhor e sim para pior” (1Co 11.17).

 

Não basta ao homem querer adorar ao Deus verdadeiro, se não está disposto a seguir as orientações divinas sobre a adoração.


Há muitos anos atrás A. W. Tozer chamou o culto de “a jóia perdida da igreja”.


Enquanto que a igreja deva se restringir zelosamente aos elementos prescritos na Palavra de Deus, conforme entendidos pelos símbolos de fé, existem determinadas circunstancias referentes ao bom andamento do culto público que foram deixadas a critério dos pastores e conselhos das igrejas locais conforme a nossa confissão:

 

...há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.


(CFW I.VI)

Algumas destas circunstancias estão relacionadas com o ambiente de culto, e envolvem decisões quanto à arrumação do salão, mobiliário adequado e sua disposição no local, a iluminação e decoração do ambiente, amplificação do som, uso de mídia, a determinação dos horários de culto, entre outros.

 

Continuaremos a tratar desse assunto!

 

Boa leitura, pense nisso e cresça no verdadeiro conhecimento de Deus.

 



Rev. Juan Carlos Pantaleão.../...


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